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Fundamentos Teóricos

    Luminescência é o nome dado ao fenômeno relacionado à capacidade que algumas subtâncias apresentam em converter certos tipos de energia em emissão de radiação eletromagnética, com um excesso de radiação térmica. A luminescência é observada para todas as fases da matéria, seja gasosa, líquida ou sólida, para ambos compostos orgânicos e inorgânicos. A radiação eletromagnética emitida por um material luminescente, ocorre usualmente na região do visível, mas esta pode ocorrer também em outras regiões do espectro eletromagnético, tais como ultravioleta ou infravermelho.
    O termo luminescência é utilizado como uma generalização do fenômeno. Há vários tipos de luminescência, que diferem entre si, pela energia utilizada para a excitação. A eletroluminescência é excitada por uma voltagem elétrica. A catodoluminescência por um feixe de elétrons de alta energia. A quimiluminescência pela energia de uma reação química. A termoluminescência não se refere à excitação térmica, mas sim à estimulação térmica de emissão luminescente a qual foi excitada por outro meio. A fotoluminescência é um resultado da absorção de fótons, utilizando-se uma radiação eletromagnética.
    A fotoluminescência, inclui tanto a fluorescência como fosforecência. A fluorescência difere da fosforecência, no fato de que as transições de energia eletrônica responsáveis pela fluorescência não envolvem a mudança de spin eletrônico. Como conseqüência, a fluorescência tem tempo de vida curto, cessando quase que imediatamente (<10-5s). Em contraste, uma mudança de spin eletrônico, acompanha as emissões fosforescentes, a qual faz a radiação poder durar por um tempo facilmente detectável após o término da irradiação, freqüentemente vários segundos ou mais.

Mecanismos de excitação e emissão

Na Figura 5.1, estão ilustrados os processos de excitação e de emissão para um material hipotético, com a representação esquemática dos níveis de energia. E0 é o estado de energia fundamental e de E1 a E5 estão representados os estados de energia excitados. À baixas temperaturas e na ausência de uma energia de excitação só o nível E0 é ocupado. Após a excitação, elétrons são ativados para o nível E5. Os intervalos de energia entre os níveis adjacentes de E2 ao E5 são pequenos, enquanto que o intervalo entre E2 e E1 é grande. Se o intervalo entre um nível excitado e o mais próximo adjacente é pequeno, o material excitado tende a apresentar um decaimento não radiativo pela emissão de fóton, liberando energia na forma de calor. A radiação eletromagnética que é resultante de um decaimento radiativo de um nível eletrônico superior para o estado fundamental, pela emissão de um fóton, só ocorre quando o intervalo para o nível adjacente mais baixo está acima de um valor crítico. Quando o material da Figura 5.1, é excitado para o nível E5, este perde energia na forma de cascata do nível 5 ao 2. Como o intervalo dos níveis 2 e 1 está acima do valor crítico, então o material decai radiativamente do nível 2, emitindo um fóton alcançando o nível 1 ou 0. Se o material decai radiativamente para o nível 1, este então, decai não radiativamente através do pequeno intervalo para o estado fundamental.



Figura 5.1. Processo de excitação e emissão para um material hipotético.

Efeito das impurezas 

    A luminescência na maioria dos sólidos inorgânicos, envolve impurezas ou defeitos estruturais, que são denominados ativadores. Estas imperfeições são de diversos tipos, atômicas e moleculares, as quais as características dependem da natureza e estrutura da imperfeição e dos estados eletrônicos do sólido. Os estados eletrônicos devido às impurezas, envolvidos na luminescência estão relacionados com a estrutura de bandas do sólido. Sólidos semicondutores são caracterizados por uma banda de valência e uma banda de condução, separada um gap de energia. A luminescência ocorre pela excitação de elétrons para a banda de condução vazia, deixando buracos na banda de valência completamente preenchida. A emissão ocorre pela recombinação do par elétron-buraco. Esta recombinação, se dá devido à proximidade ou à presença de defeitos na estrutura cristalina. 
    As impurezas que ocasionam defeitos na estrutura cristalina de semicondutores podem ser divididas em três categorias: doadoras, aceptoras e isoeletrônicas. Doadoras são substâncias que podem doar um de seus elétrons para a banda de condução de um semicondutor. A energia necessária para esta transição eletrônica é denominada ED e está representada esquematicamente na Figura 5.2. Se as impurezas presentes são capazes de retirar um elétron da banda de valência de um semicondutor e deixar um buraco na mesma, são denominadas aceptoras. A energia necessária para a remoção deste elétron é denominada EA e está ilustrada na Figura 5.2. Impurezas isoeletrônicas são substâncias que não contribuem para a condutividade elétrica de um semicondutor, mas estas substâncias podem influenciar nas propriedades luminescentes do material atuando como centros de recombinação de elétrons excitados e buracos.



Figura 5.2 Representação esquemática dos níveis de energia gerados por impurezas doadoras e aceptoras em um material semicondutor. Eg é a energia da banda gap.

Origem da propriedade fotoluminescente

    A propriedade fotoluminescente observada, para os materiais estudados, tais como titanatos (PbTiO3, BaTiO3 e SrTiO3), zirconatos (PbZrO3 e SrZrO3), molibdato de estrôncio (SrMoO3) e do Tungstanato de estrôncio (SrWO3), pode ser explicada considerando-se a presença de cátions formadores e modificadores de rede no óxido metálico. Óxidos formadores de rede apresentam basicamente ligações com natureza covalente e podem formar redes tridimensionais com o oxigênio. O fenômeno fotoluminescente pode ser previsto por estes formadores de rede, cuja a escolha, deve ser baseada em cátions metálicos, os quais formem preferencialmente complexos oxiânions hexacoordenados pelo íon oxigênio (uma coordenação octaédrica com O simétrico). Oxiânions formados por Ti, Zr, Mo e W, são bons candidatos. Cátions metálicos que formem preferencialmente ligações iônicas, tais como Ba, Sr e Pb, podem ser empregados como modificadores de rede.         Modificadores de rede promovem ou aumentam a formação de oxigênio não ligado à rede tridimensional e é este defeito que contribui para comportamento fotoluminescente. Baseado neste conceito, para a obtenção de materiais com propriedade fotoluminescente é necessário que estes apresentem uma estrutura similar à esquematizada na Figura 5.3. A Figura 5.4 ilustra os espectros de emissão fotoluminescente para diferentes compostos com cátions metálicos formadores de rede sintetizados. 



Figura 5.3. Representação bidimensional de uma rede randômica de um material amorfo formado por um cátion metálico hexacoordenado pelo oxigênio e modificadores de rede que promovem a formação de oxigênios não ligados. 



Figura 5.4. Espectros de fotoluminescência para diferentes cátions metálicos formadores de rede.


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